5 Minutos de História: O Problema do Politicamente Correto

Novembro 28, 2017/Blog

O que é: O politicamente correto – entendido como algo que é alvo de “correção política” – é normalmente usado para descrever linguagens, políticas ou medidas que visam evitar ofensas ou desvantagens para membros de grupos particulares de uma sociedade. Com uma história que remonta a lutas culturais entre liberais e conservadores na política dos EUA, emergiu da crítica conservadora à nova esquerda no final do século XX; Visto como um esforço liberal para promover a autovitimização e o multiculturalismo através da linguagem, da ação afirmativa e da mudança nos conteúdos dos currículos escolares e universitários, os conservadores consideravam que mesmo que “o movimento decorra do desejo louvável de varrer os destroços do racismo, do sexismo e do ódio, acaba por substituir estes antigos preconceitos por outros novos ao declarar que certos tópicos estão fora dos limites, certas expressões estão fora dos limites e até mesmo certos gestos estão fora dos limites.” Os liberais, por seu turno, criticavam os conservadores acusando-os de que utilizavam o conceito para minimizar e desviar a atenção de comportamentos substantivamente discriminatórios contra grupos desfavorecidos;

O caráter de ofensa: O politicamente correto tenta travar a ofensa; Mas o que é que pode ser considerado uma ofensa? O “sentir-se ofendido” é um ato puramente subjetivo e, hoje, ao vivermos cada vez mais naquilo a que podemos chamar Cosmópolis – cidades onde nos cruzamos rotineiramente com seres humanos de todos os países, culturas, credos e etnias -ainda mais difícil é balizar onde se inscreve a ofensa; Se qualquer pessoa que se sinta ofendida puder exercer o seu direito de veto sobre a linguagem chegamos a uma encruzilhada que torna impossível falar, e pensar, sobre ideias que desafiem a norma estabelecida pelo politicamente correto; A par das Cosmópolis, a Internet apresenta-se hoje como uma “antologia global do que é ofensivo” ou não fosse o mundo ligado em rede o maior repositório de diferenças culturais ao nosso dispor; E é exatamente por estas duas questões civilizacionais, que hoje vivemos emergidos numa luta de politicamente corretos excessivos que reduzem cada vez mais a liberdade de expressão tão essencial para um debate franco e para a liberdade de escolha;

[É exatamente na Internet que encontramos aquela que poderia ser a receita para o problema: “Se algo for considerado inaceitável por quase todos, em todos os países e culturas, então uma comissão internacional de poderes públicos e privados poderá impedir que a maioria das pessoas sejam expostas a ele na maior parte do tempo. As formas pedófilas extremas de pornografia infantil são o melhor exemplo.” A pedofilia torna-se a exceção que confirma a regra – é uma das poucas coisas que quase todos concordarão não poder constar on-line;]

Linguagem politicamente correta: As palavras ou termos ditos “politicamente corretos” são usados para mostrar diferenças entre pessoas ou grupos de forma não ofensiva. Estas diferenças podem ser por causa da raça, género, crenças, religião, orientação sexual, deficiências mentais e físicas, etc., no fundo, qualquer coisa que desafie a norma. O problema é que as novas palavras “politicamente corretas” são muitas vezes alvo de críticas por serem bastante ridículas. Quando não se pode dizer que alguém é gordo e, em vez disso, se usa a expressão “peso alternativo” estamos perante um desses casos. O que significa peso alternativo? É exatamente por exemplos como este que, no discurso público e nos media, o termo politicamente correto é geralmente usado como um termo pejorativo, o que implica que estas políticas são muitas vezes vistas como excessivas;

Teresa Rolla

TeresaRolla.com