5 Minutos de História: O Maio de ’68

Outubro 24, 2017/Blog

O que foi: França, maio de 1968; Uma série de protestos de ocupação estudantil contra o capitalismo, o consumismo, o imperialismo americano, as instituições tradicionais, os valores e a ordem vigentes eclodiu nas ruas de Paris; A agitação alargou-se às fábricas que se viram confrontadas com greves de milhares de trabalhadores durante duas semanas consecutivas; Foi a maior greve geral desenfreada, espontânea e descentralizada que França viu acontecer; As tentativas de reprimir estas greves por parte da administração e polícia do estado contribuíram para inflamar ainda mais os ânimos, chegando a haver confrontos entre os manifestantes e a polícia; Líderes políticos temiam uma guerra civil ou uma revolução; O governo nacional deixou de funcionar e o presidente Charles de Gaulle viu-se obrigado a sair secretamente do país durante algumas horas temendo pela própria vida; Os protestos estimularam um movimento artístico que contava com músicas, graffitis, cartazes e slogans; O impacto do Maio de 68 ressoou durante décadas na sociedade francesa; É hoje considerado um ponto de viragem moral, cultural e social na história do país;

Como aconteceu: Tudo começou em fevereiro de 1968 quando comunistas e socialistas formaram uma aliança para tentar destituir o presidente Charles de Gaulle e o seu partido; Em março do mesmo ano um pequeno número de poetas, escritores e músicos proeminentes aliaram-se a grupos de extrema esquerda e a estudantes franceses e ocuparam um prédio administrativo da Universidade de Paris com o intuito de discutir a discriminação de classes que se vivia na sociedade francesa; Depois deste episódio os conflitos entre os estudantes e as autoridades continuaram ao ponto da Universidade de Paris ser encerrada, a 2 de maio; No dia seguinte estudantes da Universidade de Sorbonne reuniram-se para protestar alargando as manifestações de descontentamento à União Nacional dos Estudantes franceses; A par da revolta estudantil, os trabalhadores fabris aliaram-se ao movimento que pedia a destituição do governo e as principais forças sindicais do país convocaram uma greve geral para 13 de maio; Milhões de pessoas marcharam pelas ruas do país nesse dia e foram usados cocktails molotov e gás lacrimogénio por parte das forças policiais contra os manifestantes; Nos dias seguintes o governo deixou de funcionar, levantar dinheiro dos bancos tornou-se difícil e a gasolina para abastecer automóveis deixou de estar disponível; No dia 29 de maio Charles De Gaulle retirou secretamente todos os seus pertences do Palácio do Eliseu e permaneceu em parte incerta com medo de represálias; A greve alastrou-se e manteve-se até dia 30 de maio exigindo a demissão do governo e do presidente De Gaulle;

Conclusão: Ao início, a opinião pública apoiou os protestos, mas depois dos líderes do movimento aparecerem em programas televisivos a ideia geral mudou e o seu comportamento foi considerado utópico e irresponsável; O governo francês ainda tentou chegar a acordo com os principais sindicatos de trabalhadores, através da proposta de medidas de aumento salarial, mas uma grande euforia anti sindicalista encheu as ruas e acusou os sindicatos de estarem dispostos a comprometer-se com o poder vigente; Tudo isto culmina com o primeiro-ministro francês Georges Pompidou a persuadir Charles de Gaulle a dissolver a Assembleia Nacional e a marcar novas eleições legislativas, o que acaba por acontecer a 30 de maio; As eleições são marcadas para dia 23 de junho; Os comunistas concordaram com as eleições e a ameaça de revolução acaba com os trabalhadores a voltarem gradualmente ao trabalho; Ao contrário do que De Gaulle temia, o seu partido voltou a ganhar as eleições com a maior vitória da história parlamentar francesa até ao momento; No entanto, a 14 de julho, Dia da Bastilha, novas manifestações surgiram no Quartier Latin lideradas por estudantes de esquerda; A polícia respondeu duramente aos manifestantes e houve um grande derramamento de sangue que fez com que os governos da Grã-Bretanha e da Alemanha apresentassem protestos formais contra o comportamento da polícia francesa;

Teresa Rolla

TeresaRolla.com