Jean-Paul Sartre: O homem está condenado à liberdade

Março 5, 2017/Excerto

Dostoievsky escrevera: “Se Deus não existisse, tudo seria permitido”. É este o ponto de partida do existencialismo. Com efeito, tudo é permitido se Deus não existe, e por consequência o homem está desamparado porque não encontra nem em si nem fora de si uma possibilidade a que se agarrar. (…) Se com efeito a existência precede a essência, nunca se poderá explicar por referência a uma natureza humana dada e fixada; melhor dizendo, não há determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade. Se, por outro lado, Deus não existe, nós não encontramos perante nós valores ou ordens que legitimem a nossa conduta. Assim, não temos nem atrás nem perante nós, no domínio luminoso dos valores, justificações ou desculpas. Nós estamos sós, sem desculpas. É isso que eu exprimo quando digo que o homem está condenado a ser livre. Condenado porque não se criou a si próprio, e, por outro lado, livre, porque, uma vez lançado no mundo, é responsável por tudo aquilo que faz.

[Jean-Paul Sartre, in O Existencialismo é um Humanismo]

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