9 razões para o descrédito das elites políticas:

Janeiro 30, 2017/Blog/1 min. a ler

1) A distinção entre esquerda e direita reduziu-se a diferenças culturais mínimas que pouco dizem à generalidade das populações;

2) As tentativas de movimentos populares para se envolverem na “verdadeira política” obrigando as classes dirigentes a debater os seus problemas e a ter em conta as suas opiniões foram, geralmente, em vão;

3) As decisões que costumavam ser submetidas a debate público passaram a ser classificadas como “técnicas” e reservadas aos peritos;

4) A convicção de que “reformas impopulares” eram “objetivamente indispensáveis” e deviam ser executadas independentemente da opinião pública guiou a política de todos os governos com poucas excepções;

5) Questões que só dizem respeito a 1% da população (casamento homossexual) vieram para a ribalta do debate político nacional e internacional e cristalizaram as lutas pelo poder, mesmo não tendo qualquer relação com os verdadeiros problemas da maioria;

6) A crise demonstrou que a capacidade das elites liberais para controlar a situação é muito limitada e os seus recursos são cada vez menores;

7) A transformação neoliberal substituiu o diálogo e a comunicação pela manipulação mas este modelo está a perder a eficácia e as elites passaram a ver-se inquietas e desorientadas;

8) O conservadorismo das elites e a ausência de comunicação entre estas e as camadas populares bloqueiam qualquer hipótese de reformas que mantenham os mecanismos da sociedade sem danos de maior;

9) Os movimentos de contestação, privados do diálogo tradicional com a classe política, viram-se para as fontes nacionalistas, tradicionalistas e religiosas adubando o terreno social aos populismos, de direita e de esquerda;

[Fonte: Courrier Internacional – Dezembro 2016]

TeresaRolla.com