5 livros que todas as pessoas deviam ler!

Setembro 28, 2016/Blog/3 min. a ler

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O Mundo de Sofia de Jostein Gaarder, Editorial Presença;

O Mundo de Sofia é um desses inexplicáveis sucessos que têm gerado uma contagiante adesão por parte dos leitores. Tornou-se de imediato um best-seller em muitos países: está traduzido em mais de cinquenta línguas. Esta intrigante aventura filosófica, que põe em cena um professor de filosofia e uma jovem de catorze anos, percorre a história do pensamento ocidental, sem excluir alguns dos seus mitos e lendas e fazendo breves incursões pelas filosofias orientais. As misteriosas interrogações dirigidas a Sofia: «Quem és tu?» e «De onde vem o mundo?» são aqui emblemáticas da atitude de espanto de alguém, como Gaarder, para quem a existência é um coelho branco que o ilusionista tira ludicamente da cartola.

Jostein Gaarder nasceu em Oslo, em 1952, e foi durante vários anos professor de Filosofia na Escola Secundária Pública da cidade de Bergen. Desde 1986, tem publicado diversos contos e romances para crianças e jovens, tendo sido distinguido com importantes prémios literários. O Mundo de Sofia foi publicado pela primeira vez na Noruega em 1991. O sucesso internacional das suas obras permitiu-lhe dedicar-se, desde 1993, integralmente à produção literária.

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Mil Novecentos e Oitenta e Quatro de George Orwell, Antígona;

1984 é uma alegoria inventada para criticar o estalinismo e invocada ao longo de décadas pelos ideólogos democráticos, e que oferece agora uma descrição quase realista do vastíssimo sistema de fiscalização em que passaram a assentar as democracias capitalistas. A eletrónica permite, pela primeira vez na história da humanidade, reunir nos mesmos instrumentos e nos mesmos gestos o trabalho e a fiscalização exercida sobre o trabalhador. Como se não bastasse, a eletrónica permite, e também sem precedentes, que instrumentos destinados ao trabalho e à vigilância sejam igualmente usados nos ócios. É graças à unificação de todos os aspetos da vida numa tecnologia integrada que a democracia capitalista pode realizar na prática as suas virtualidades totalitárias. O Big Brother já não é uma figura de estilo – converteu-se numa vulgaridade quotidiana. O facto de este livro continuar atual, apesar da erosão interna dos regimes estalinistas e da sua derrocada final, mostra que a História não segue em linha reta mas em elipses, quando não desenha até labirintos. São múltiplos os percursos que unem, tantas vezes através de atalhos inesperados, as várias modalidades do capitalismo; e as formas mais totalitárias, que durante algum tempo foram postas em prática pelo capitalismo de Estado soviético a pretexto da libertação do trabalho, são hoje prosseguidas e agravadas pelo neoliberalismo a pretexto da libertação dos mercados.

George Orwell nasceu a 25 de junho de 1903 em Motihari, Bengala. Foi batizado com o nome Eric Arthur Blair. Juntamente com a sua irmã mais velha, Marjorie, e a sua mãe, regressaram a Inglaterra em 1904, tendo-se fixado em Henley-on-Thames. Orwell fez o serviço militar na Birmânia, na Indian Imperial Police, entre outubro de 1922 e dezembro de 1927. Quando regressou de licença a Inglaterra, demitiu-se do seu cargo militar, abdicando assim de um trabalho relativamente bem pago, para ter de passar a lutar pela vida como aspirante a escritor. Os seus primeiros artigos, todos publicados em jornais parisienses de pequena tiragem, deixam já entrever os seus futuros interesses literários: a censura, o desemprego, os pobres, a exploração imperialista, a literatura e a cultura popular. George Orwell morreu em 1950, em Inglaterra, vítima de tuberculose.

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Shantaram de Gregory David Roberts, QuidNovi;

Shantaram é a história de Lindsay Ford, o nome falso que Gregory David Roberts arranjou para conseguir chegar à Índia. Quando chegou a Bombaim não passava de um fugitivo: sem identidade, sem futuro, sem esperança. Nessa cidade conheceu o paraíso e o inferno, o amor e o ódio, a paixão e a guerra. E conquistou um nome que lhe foi dado com o coração: Shantaram. Aterrou em Bombaim fugindo de um passado de crime e drogas, perseguido pela Polícia após ter escapado de uma prisão de alta segurança na Austrália. Nos seus bairros miseráveis, aqueles onde os estrangeiros nunca entram e onde só o amor e a lealdade poderão garantir a sobrevivência, a sua vida ganhou um sentido e alcançou uma intensidade que julgava impossível. Nas ruas imundas e fervilhantes de Bombaim aprendeu o valor da autêntica amizade com homens simples e alegres, como Prabaker, ou duros, violentos mas leais, como Abdullah. Conheceu também o prazer e o tormento de amar uma mulher excecional. E sofreu o lado obscuro da vida com a mesma força: a tortura e o horror das prisões indianas; a traição e a morte dos que lhe eram queridos. Conquistou um lugar entre traficantes, contrabandistas e falsários, adotou os seus códigos de honra e criou laços que o levaram até às montanhas do Afeganistão, ao lado de mujahedines que combatiam as tropas soviéticas. Esta é a história real da transformação de um homem.

Gregory David Roberts narra em Shantaram a sua própria e aventurosa vida. Antigo revolucionário, viciado em drogas, assaltante, aportou a Bombaim fugindo à justiça australiana. Depois de múltiplas aventuras, acabou por cumprir o resto da pena de prisão na Austrália natal, tendo sido na cadeia que escreveu este romance, por duas vezes destruído pelos guardas prisionais antes que conseguisse terminá-lo e convertê-lo num imenso êxito editorial em todo o mundo. Hoje é já um homem livre, que se dedica a difundir a sua obra e a sua filosofia de vida, estando a preparar a segunda parte de Shantaram.

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As Velas Ardem até ao Fim de Sándor Márai, Pub. Dom Quixote;

Um pequeno castelo de caça na Hungria, onde outrora se celebravam elegantes saraus e cujos salões decorados ao estilo francês se enchiam da música de Chopin, mudou radicalmente de aspeto. O esplendor de então já não existe, tudo anuncia o final de uma época. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude, sentam-se a jantar depois de quarenta anos sem se verem. Um passou muito tempo no Extremo Oriente, o outro, ao contrário, permaneceu na sua propriedade. Mas ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles impõe-se um segredo de uma forma singular…

Sándor Márai nascem em 1900 em Kassa, uma pequena cidade húngara que hoje pertence à Eslováquia. Passou um período de exílio voluntário na Alemanha e em França durante o regime de Horthy nos anos vinte, até que abandonou definitivamente o seu país em 1948 com a chegada do regime comunista, tendo emigrado para os Estados Unidos. A subsequente proibição da sua obra na Hungria fez cair no esquecimento quem nesse momento era considerado um dos escritores mais importantes da literatura centro-europeia. Foi preciso esperar várias décadas, até à queda do comunismo, para que este extraordinário escritor fosse redescoberto no seu país e no mundo inteiro. Sándor Márai suicidou-se em 1989 em San Diego, Califórnia, poucos meses antes da queda do muro de Berlin.

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A Montanha Mágica, Thomas Mann, Pub. Dom Quixote;

História mágica ou filosófica, romance histórico ou de formação, narrativa sobre o tempo ou viagem interior de um jovem alemão honrado e ávido de experiências, este romance envolve e enreda o leitor em teias mágicas que não mais o libertarão, entre a sátira e a seriedade, o humor e a ironia, a luz e o niilismo, numa sinfonia contra-pontística em que liberalismo e conservadorismo, decadência e sublimação, doença e saúde, espírito e natureza, morte é vida, honra e volúpia se sucedem num torvelinho que só a Primeira Guerra Mundial conseguirá dissipar. Quando as fundações da Terra e da montanha mágica começam a tremer, quando o mundo hermético feito de tédio, torpor e exasperação começa a abalar, por ação do trovão e do enxofre, das baionetas e dos canhões, é que o arganaz adormecido esfrega os olhos e começa a endireitar-se, saindo da sua tenaz hibernação, expulso do seu reino e dos seus sonhos, salvo e liberto, depois de quebrado tão longo e mágico encanto.

Thomas Mann nasceu em Lübeck, na Alemanha, a 6 de junho de 1875 e morreu em Zurique, em 1955. Obteve a nacionalidade americana em 1944, local para onde se havia exilado em 1938, só regressando à Europa em 1952. Mann é um dos maiores escritores do século XX, tendo visto o seu trabalho ser reconhecido, em 1929, com a atribuição do Prémio Nobel da Literatura.

Boas leituras, Teresa Rolla

TeresaRolla.com