Hoje começa o NOS Alive mas o que eu queria mesmo era ter estado em Nova Iorque, em 1969, neste festival.

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“O primeiro mega evento de sempre que durante quatro dias decorreu numa quinta nos arredores de Nova Iorque e que é considerado o marco fundador da música moderna.”

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Estas fotografias são da autoria de Baron Wolman, considerado “um autêntico guru da fotografia musical”. Foi o primeiro editor gráfico da Rolling Stone e fotografou lendas como Bob Dylan, Jim Morrison, Janis Joplin, Rolling Stones e Jimmy Hendrix.

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O que vemos nestas imagens de Baron Wolman é o “verão de amor, de paz e música” que anunciava o cartaz promocional do evento. São o melhor testemunho que temos hoje do momento em que “nasceu e morreu o movimento hippie”.

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Em Madrid por causa de uma masterclass, Wolman foi entrevistado pela VICE e falou sobre música, estrelas rock, drogas, álcool, o Festival e sobre muita paz entre todos.

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VICE: Que recordações tens daquele primeiro Woodstock?

Baron Wolman: As minhas recordações? Bem, a vida era mais divertida, menos complicada e o Festival era um reflexo desse espírito de “vive e deixa viver”. Um espírito autêntico. No que diz respeito ao evento em si, para alguém que gostava de música foi algo irrepetível, repleto de momentos memoráveis, logo desde o momento em que Richie Valens começou a tocar para 300 mil pessoas.

Como é que foi o teu trabalho naquele cenário?

Tirei fotografias, centenas de fotografias, não me lembro de quantos rolos, mas foram dezenas. Naquela altura era tudo mais espontâneo, as bandas não tinham 500 managers e 300 relações públicas e podias aproximar-te deles como querias. O meu trabalho foi, por isso, bastante simples: fiz o que me deu na real gana.

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Que grupo ou artista recordas com especial carinho?

Jimmy Hendrix. Jimmy Hendrix foi rei em Woodstock.

E quem foi melhor, no que respeita a tirares as tuas fotografias?

Jimmy Hendrix, sem dúvida. Manuseava a guitarra como se fosse uma serpente. Mas devo reconhecer que o mais divertido foi tirar fotos ao público. nunca se tinha visto, nem sei se alguma vez se verá outra vez, algo assim.

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Em relação ao público, como eram aqueles jovens de finais da década de 60?

Eram geniais. Só pensavam em beber, fumar e fazer amor. Não houve uma única briga durante aqueles dias e, se alguma vez existiu uma representação do espírito livre, foram, certamente, aqueles dias em Woodstock. O autêntico movimento hippie nasceu e morreu ali.

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Como é que o universo da fotografia mudou desde Woodstock até hoje?

É um universo distinto. Sempre gostei da fotografia crua, sem manipulações, o que vês é o que é. Agora, tudo leva toneladas de photoshop e não sei mais quantas coisas. não quero saber de nada disso, porque não é fotografia, mas sim ficção científica. É por isso que há anos que não estou interessado em nada que tenha a ver com esse universo.

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E o que pensas da música que se produz hoje em dia?

Na verdade, também não me interessa por ai além. Cresci com bandas verdadeiras, que tocavam música. O que existe agora é outra coisa e as excepções – que as há – podem contar-se pelos dedos de uma mão.

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Na tua opinião, os Estados Unidos da América são agora um país com menos liberdades que nos anos 60?

Não sei responder a essa pergunta. Eu vivo de uma forma muito simples em Santa Fé, Novo México, e não faço ideia de como vivem os outros.

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Tens algum segredo para sacar boas fotos para a capa de uma revista?

O segredo é comunicar alguma coisa: um momento, um flash, uma centelha. acho que é algo bastante intuitivo. De repente acontece alguma coisa que faz com que carregues no botão e essa é a foto que vai sair na capa. Nunca fui demasiado adepto de preparar uma foto, acredito mais na espontaneidade do momento e na minha capacidade para captar algo especial sem ter de me meter a dar instruções.

Obrigado, Baron.

Fonte: VICE Portugal

TeresaRolla.com