30, o número redondo da vida.

Junho 19, 2016/Blog/3 min. a ler
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Fiz trinta anos há exatamente um mês e, embora não tenha sido essa a causa da criação deste ‘lugar virtual’, sinto que ele só acontece por causa de uma mudança interna de paradigma que se deve, em muito, à idade.

É comummente aceite que a idade é só um número que nada significa e eu gostei e gosto de acreditar nesse senso comum, às vezes.

Outras vezes sou obrigada a aceitar que o tempo passou por mim. O tempo passa mesmo por nós, por muito que continuemos com um pensamento jovem e uma vida divertida. O mundo muda, mas nós também e toda esta realidade me faz achar que vivemos em tempos múltiplos. Está tudo (mesmo tudo!) numa alteração constante. A linearidade em que achamos que vivemos não é mais do que a nossa defesa face à incompreensão visceral e anímica que nos consome as certezas e nos torna cada vez mais humanos.

A idade pode querer dizer muitas coisas, se quisermos olhar para ela. E fazer 30 anos marcou a minha cronologia pessoal, por muito irrelevante que isso seja para o resto do mundo.

Fazer 30 anos significa entrar na quarta década de vida e, só por isso, ninguém pode esperar que sejamos os mesmos de há dez anos. O tempo acontece, o tempo passa realmente por nós e connosco, e a idade (que à primeira vista deve ser ignorada), é aquilo que nos ajuda, (na minha visão otimista e romântica das coisas), a sobreviver neste pântano de realidades. Há tantas realidades quanto pessoas – e ter 30 anos ajuda-nos a ter consciência disso.

Ter 30 anos faz-nos saber que o mundo é um lugar estranho e, na maior parte das vezes, cruel. Faz-nos perceber que isso dificilmente mudará no espaço de uma vida. Faz-nos ter a certeza do que não queremos por muito que não saibamos o que queremos. Ter 30 anos faz-nos olhar para o mundo de frente, com as mesmas inseguranças mas com muito menos ansiedades ou angústias. Ter 30 anos significa que já partilhamos muitas coisa com o eu que atravessou o tempo connosco, e essa intimidade é essencial para nos sentirmos mais fortes como seres humanos. Se é a isto que chamam maturidade são boas notícias, é bem melhor do que possa parecer.

Ter 30 anos pode não querer dizer nada, mas eu nunca pensei gostar tanto da mudança que um número pode provocar.

Teresa Rolla

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